Mia Couto

Obras publicadas pela MHIJ:

Mia Couto

Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 5 de Julho de 1955. Publicou os primeiros poemas no “Notícias da Beira”, com 14 anos. Em 1972, deixou a Beira e partiu para Lourenço Marques para estudar Medicina. A partir de 1974, começou a fazer jornalismo, tal como o pai. Com a independência de Moçambique, tornou-se director da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Dirigiu também a revista semanal “Tempo” e o jornal “Notícias de Maputo”. Em 1985 formou-se em Biologia pela Universidade Eduardo Mondlane. Foi também durante os anos 80 que publicou os primeiros livros de contos.

Jornalista, professor, biólogo, escritor, é considerado um dos nomes mais importantes da nova geração de escritores africanos que escrevem em português. É uma espécie de mágico da língua, criando, apropriando, recriando, renovando a língua portuguesa em novas e inesperadas direcções. As questões mais importantes reflectidas na sua obra são as relacionadas com a vida do povo moçambicano, onde persiste uma forte tradição de transmissão da literatura e dos saberes essencialmente por via oral.

Na narração a oralidade é re-escrita, tentando trazer para o nível da escrita tudo o que caracteriza um povo de costumes e crenças transcendentes.
Numa cultura onde se diz que «cada velho que morre é uma biblioteca que arde», Mia liga a tradição oral africana à tradição literária ocidental.
Está traduzido em diversas línguas, como espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, norueguês e holandês.

Algumas das distinções recebidas:

  • Terra Sonâmbula foi nomeado, na Feira Internacional do Zimbabwe, como um dos doze melhores livros africanos do século XX;
  • Em 1999, Mia Couto foi vencedor pelo conjunto da obra do Prémio Vergílio Ferreira, um dos mais conceituados prémios literários portugueses;
  • O Último Voo do Flamingo (2000) recebeu em 2001, o Prémio Literário Mário António (que distingue obras e autores dos países africanos lusófonos e de Timor-Leste) atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian;
  • Em 2007, Mia Couto, com 52 anos, torna-se o primeiro escritor de África a receber o Prémio União Latina de Literaturas Românicas. Originalidade e “poder criativo” foram os principais argumentos apontados pelo júri. “Mia Couto revelou-se igualmente um extraordinário contador de estórias na mais pura tradição africana”, sublinhou o porta-voz do júri. A singularidade criativa de que falou o presidente, Vincenzo Consolo, está fortemente ligada às raízes do escritor que “parte da realidade do seu país para exaltar o poder da vida e a alegria de viver, mesmo se, por vezes, em condições extremamente dramáticas.