Alexandre O'Neill

Obras publicadas pela MHIJ:

Alexandre O'Neill

Alexandre Manuel Vahia de Castro O’Neill de Bulhões, descendente de irlandeses, nasceu em Lisboa em 1924.

Fez o liceu, frequentou a Escola Náutica (Curso de Pilotagem) mas, por causa da sua miopia, foi-lhe recusada a cédula marítima para exercer pilotagem e abandonou os estudos.

Em 1948 foi um dos fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, com o poeta Cesariny, José-Augusto França, António Pedro e Vespeira e colaborou na Ampola Miraculosa, livro de colagens surrealistas, constituído por 15 imagens sem qualquer ligação e respectivas legendas, sem que entre imagem e legenda se estabelecesse um nexo lógico, o que torna altamente irónico o subtítulo da obra, «romance». Esta obra poderá ser considerada paradigmática do surrealismo português. Em 1950 O’Neill rompe com o Movimento Surrealista.

Em 1953, e durante 40 dias, O’Neill ficou preso pela PIDE.

Não conseguindo viver apenas da sua arte, trabalhou em publicidade, sendo da sua autoria o lema publicitário “Há mar e mar, há ir e voltar”. Publicou uma crónica semanal no Diário de Lisboa, fez parte da redacção da revista Almanaque (1959-61).

Os seus textos caracterizam-se por uma intensa sátira a Portugal e aos portugueses, a que contrapõe a vida mesquinha, a dor do quotidiano, numa alternância entre o absurdo da vida e o humor como única forma de se lhe opor. Temas como a solidão, o amor, o sonho, a passagem do tempo ou a morte, conduzem ao medo e/ou à revolta, de que o homem só poderá libertar-se através do humor, contrabalançado por vezes por um tom discretamente sentimental. Este humor é, muitas vezes, manifestado numa linguagem que parodia discursos estereotipados, como os discursos oficiais ou publicitários, ou que reflecte a própria organização social, pela integração nela operada do calão, da gíria, de lugares-comuns pequeno-burgueses, de onomatopeias ou de neologismos inventados pelo autor.

Em 1957 casou com Noémia Delgado mãe do seu primeiro filho Alexandre Delgado O’Neill, de quem se divorciou em 1971 casando no mesmo ano com Teresa Patrício Gouveia mãe do segundo filho, Afonso O’Neill. Em 1980 apaixona-se por Laurinda Bom e divorcia-se de Teresa.

O Poeta morreu em 1986, de doença cardíaca.

Obras:

  • 1951 – Tempo de Fantasmas
  • 1958 – No Reino da Dinamarca
  • 1960 – Abandono Vigiado
  • 1962 – Poemas com Endereço
  • 1965 – Feira Cabisbaixa
  • 1969 – De Ombro na Ombreira
  • 1970 – As Andorinhas não Têm Restaurante (crónicas)
  • 1972 – Entre a Cortina e a Vidraça
  • 1979 – A Saca de Orelhas
  • 1980 – Uma Coisa em Forma de Assim (crónicas)
  • 1981 – As Horas Já de Números Vestidas
  • 1983 – Dezanove Poemas
  • 1984 – Poesias Completas, 1951-1983
  • 1986 – O Princípio da Utopia
  • 1986 – Foi ainda editada uma antologia, postuma, com o título Tomai Lá do O’Neill.

Publicou as Antologias Poéticas de Gomes Leal e de Teixeira de Pascoaes (em colaboração com F. Cunha Leão), de Carl Sandburg e João Cabral de Melo Neto.

Gravou o disco «Alexandre O’Neill Diz Poemas de Sua Autoria».

Em 1966, foi traduzido e publicado em Itália, pela editora Einaudi, um volume da sua poesia, Portogallo Mio Rimorso.

Recebeu, em 1982, o Prémio da Associação de Críticos Literários.